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Não há asteroide que consiga acabar com esse bichinho

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Você pode fervê-los, congelá-los até quase o zero absoluto, deixá-los sem comer durante décadas, lançá-los ao espaço ou ressecá-los como uma uva passa –ainda assim, os ursos d’água (tardígrados) continuarão vivos. Agora, uma equipe de astrofísicos calcula que um tipo deles, o Milnesium tardigradum, aguentaria o impacto de um asteroide como aquele que acabou com os dinossauros, uma chuva de raios gama ou a explosão de uma supernova. Somente a morte do Sol seria capaz de acabar com esses bichinhos.

Os tardígrados são um grupo de animais microscópicos com cerca de 1.000 espécies. Os maiores não alcançam mais do que 0,5 mm de comprimento. Eles são parentes muito distantes dos artrópodes e podem ser encontrados em todos os ambientes da Terra onde exista um mínimo de umidade, como a película de água sobre os musgos e os líquens. Alguns, como o M. tardigradum, também conseguem viver nas profundidades do mar. Não são organismos extremófilos, já que, em condições normais, o seu entorno também não o é. No entanto, sob situações difíceis mostram um nível de resiliência que ainda deixa os cientistas maravilhados.

“Eles conseguem sobreviver por alguns minutos sob temperaturas tão baixas quanto -272º ou tão altas como 150º e durante décadas a -20º”, diz o astrofísico brasileiro Rafael Alves, da Universidade Oxford. O pesquisador também lembra que esses animais podem aguentar uma pressão de 1.200 atmosferas (o valor zero equivale à pressão atmosférica na Terra no nível do mar). Algumas de suas espécies chegam a aguentar uma submersão em solventes. Além disso, vários estudos já demonstraram a sua capacidade para assimilar radiações ionizantes de até 6.000 grays (Gy). Para se ter uma ideia, os tratamentos mais agressivos contra tumores raramente ultrapassam 100 Gy. “É uma radiação 1.000 vezes mais elevada do que aquela que poderia nos matar. São realmente duros”, acrescenta.

Foi essa resistência que levou Alves e dois colegas seus a usar o M. tardigradum como ponto de referência para medir a resiliência da vida e a possibilidade de ela existir em outros planetas com condições muito diferentes das da Terra. “Os tardígrafos são o que há de mais próximo da ideia de indestrutibilidade que temos na Terra, mas é possível que haja outros exemplos de espécies resilientes em outros lugares do universo. Temos, aqui, um caso concreto para procurar por vida em Marte e em outras regiões do sistema solar. Se os tardígrados são as espécies mais resistentes da Terra, quem poderá saber o que existe por aí afora?”, pergunta-se Alves.

A única coisa que seria capaz de acabar com esses pequenos animais seria a esterilização total da Terra. A situação mais radical exigiria a evaporação de toda a água dos oceanos. “Será necessária uma quantidade de energia inacreditável, de 5,6 x 1026 joules”, calcula Alves. Um cataclismo dessa dimensão só poderia vir do espaço. Os autores dessa pesquisa tão original, publicada pela Scientific Reports, pensaram em três cenários, improváveis, porém possíveis: o impacto de um asteroide, uma chuva de raios gama e a explosão de uma supernova.

O impacto de um meteorito ocorrido há 66 milhões de anos é considerado a causa mais provável da extinção dos dinossauros e de mais de 75% dos animais terrestres. Mas os que viviam no mar mal se deram conta do acontecido. Segundo os cálculos desse estudo, só existem 17 asteroides, como Vesta e Pallas, e planetas anões, como Plutão, com massa suficiente para que o seu impacto fizesse com que toda a água do planeta evaporasse. Por sorte, nenhum desses corpos celestes está na trajetória da Terra.

A explosão de uma supernova tampouco parece que acabará com a vida na Terra. Para que uma explosão estelar pudesse fazer ferver toda a água existente ela teria de se produzir a uma distância inferior a 0,04 parsec (medida astronômica, 1 parsec equivale a 3,2616 anos-luz), sendo que a mais próxima, fora o Sol, é Próxima Centauri, a 1,295 parsec.. Mas essa anã vermelha não está a caminho de uma explosão. A segunda com alguma possibilidade é o sistema IK Pegasi, uma dupla de estrelas na constelação Pegaso; mas ela está a 45 parsec –de modo que não há com que se preocupar quanto a isso.

Resta a chuva de raios gama. Algumas espécies de tardígrados aguentam, como se disse, radiações de até 6.000 Gy, mas esses não são os mais resistentes. “Não podem resistir a níveis de radiação tão altos como outras criaturas, mas, se estiveram sob a água, qualquer radiação extraterrestre se verá atenuada”, lembra Alves. E foram encontrados urso d’água nas fossas das Marianas. O maior perigo causado por essa radiação, para a vida, seria a provável destruição da camada de ozônio, algo letal para a vida sobre a terra, mas não para a que existe embaixo da água ou na própria água.

“A maioria dos estudos anteriores focaram cenários apocalípticos em que um evento astrofísico, como uma supernova, pudesse acabar com a raça humana”, comenta o professor David Sloan, também de Oxford e coautor da pesquisa. Mas há outras formas de vida infinitamente mais resistentes. “Ao que parece, vida, uma vez posta em marcha, é difícil de ser apagada totalmente. Uma quantidade enorme de espécies, ou até mesmo gêneros inteiros, podem se extinguir, mas a vida em seu conjunto continuará”, acrescenta. Por isso, se é para buscar por vida por aí aforam, o mais eficaz talvez seja focar em bichinhos como os ursos d’água.

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Ciência

Arqueólogos descobrem túmulo antigo com esqueletos em formação de espiral no México

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Foto: Instituto Nacional de Antropologia e História/INAH

Arqueólogos mexicanos descobriram um local de enterro de 2.400 anos de idade no qual dez esqueletos estavam meticulosamente posicionados em uma formação circular e com as partes de seus corpos interligadas. Os pesquisadores nunca viram nada parecido, com sinais apontando para uma prática ritualística anteriormente desconhecida.

A incrível descoberta foi feita próxima do centro de Tlalpan, uma cidade ao sul da Cidade do México. A antiga vila associada com esse túmulo foi descoberta em 2006, e arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) têm conduzido escavações nela e em seu entorno desde então. Os corpos foram encontrados apenas 1,2 metro abaixo de um edifício na Universidad Pontificia de México, que costumava ter salas, uma pequena capela e dormitórios para padres.

Foto: Instituto Nacional de Antropologia e História/INAH

Dos dez corpos descobertos na sepultura, os arqueólogos do INAH confirmaram a presença de duas mulheres, um homem, uma criança e um bebê. Pelo menos dois esqueletos parecem ter crânios deformados de propósito, e alguns têm dentes intencionalmente deformados, de acordo com uma análise preliminar. Potes de argila e tigelas arredondadas com pequenas aberturas circulares também foram encontradas no local.

Sinais de deformação craniana entre os restos dos antigos mesoamericanos não é nada novo — isso provavelmente foi feito para significar uma afiliação a um grupo, demonstrar status social ou como uma melhoria cosmética. Mas é a orientação dos corpos no túmulo que é particularmente notável.

Foto: Instituto Nacional de Antropologia e História/INAH

Os esqueletos foram postos em uma formação espiral em torno de um ponto concêntrico — como que para sugerir que os corpos estivessem em movimento em torno de uma figura central como uma roda.

“Havia um indivíduo por cima do outro, por exemplo: a cabeça do indivíduo sobre o peito do outro, as mãos de um indivíduo sob as costas do outro, o bebê sobre o corpo de outro”, disse Jimena Rivera, diretora do Projeto de Escavação e Salvamento Arqueológico na Universidad Pontificia de México, em entrevista ao site Noticieros Televisa. “Então, eles estavam relacionados”, acrescentando que não havia registro prévio de “um enterro com esse arranjo”.

Cada corpo foi colocado de lado, com os ossos dos braços interligados. Não está imediatamente claro se as pessoas morreram de causas naturais, algum tipo de calamidade grupal ou se foram deliberadamente assassinados. Embora o propósito exato ou a razão para o túmulo sejam desconhecidos, os pesquisadores suspeitam de que ele tenha sido parte de um ritual elaborado.

Foto: Mauricio Marat/Instituto Nacional de Antropologia e História/INAH

“Acreditamos que poderia ser uma interpretação da vida, porque os indivíduos têm diferentes idades: tem um bebê, uma criança, uma criança um pouco mais velha, jovens adultos, adultos e um adulto mais velho”, disse Rivera.

Essa antiga vila Tlalpan, um dos assentamentos mais antigos da região, data do período Pré-clássico do México, que foi de 1000 a.C. a 250 d.C. Foi muito antes da ascensão do grande Império Azteca, que teve seu ápice entre os séculos XIV e XVI. Essa vila em particular existiu entre a fase Ticomán (400-200 a.C.) e a fase Zacatenco (700 a 400 a.C.). Naquela época, a região tinha uma área arborizada, terra fértil e cachoeiras com água fresca.

Arqueólogos já encontraram vários enterros mesoamericanos antes, embora com menos corpos. Os pesquisadores do INAH dizem que vão continuar a estudar esses ossos e os artefatos para ter uma imagem mais clara do que aconteceu.

As Informações são do Instituto Nacional de Antropologia e Historia via National Geographic

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