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Política

Bolsonaro busca nomes para compor equipe econômica

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Foto: Paulo Whitaker / Reuters

O programa de governo de Jair Bolsonaro (PSL) está mobilizando cerca de 80 especialistas, a maior parte ligada à UnB (Universidade de Brasília) e ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), deslocando a formulação da pauta econômica de tradicionais escolas do eixo Rio-São Paulo para a capital.

É um estilo bastante diferente dos governos passados do PSDB e do PT, que ficaram associados a técnicos oriundos da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), como os formuladores do Plano Real, e da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ligados à Nova Matriz Econômica, de Dilma Rousseff.

Os especialistas de Bolsonaro se dividem em 27 grupos, que discutem temas variados, como segurança jurídica, reforma tributária e políticas de apoio à família. Cada um deles é composto por cerca de cinco integrantes, alguns de mais de um desses times.

O deslocamento para a capital se deve à atuação de servidores do governo Michel Temer que aceitaram colaborar com Bolsonaro na elaboração de um plano e formaram os primeiros grupos temáticos.

O recrutamento foi feito pelo economista Adolfo Sachsida, diretor-adjunto de estudos e políticas regionais, urbanas e ambientais do Ipea.

Militante de movimentos conservadores, Sachsida se aproximou de Bolsonaro em meados de 2017, quando o deputado ainda fazia parte do Patriota (ex-PEN).

Os dois se conheceram no Foro de Brasília, que questionava na Justiça políticas adotadas no governo do PT, como empréstimos feitos pelo BNDES para viabilizar obras no exterior.

Naquele momento, o capitão reformado – que já almejava disputar a Presidência da República – buscava um economista para organizar um grupo de assessoramento na área econômica.

A pedido de Bolsonaro, Sachsida passou a buscar colaboradores, muitos deles entre seus colegas do Ipea, como Alexandre Iwata, e da UnB.

Quando Bolsonaro migrou para o PSL, no início deste ano, o economista Paulo Guedes entrou em cena. Sachsida então passou a coordenar os grupos de trabalho sob o comando de Guedes.

Os grupos ganharam mais adeptos à medida que Bolsonaro avançava nas pesquisas eleitorais. Sachsida passou também a ser a ponte entre os grupos de colaboradores da área econômica e os militares, que contribuíam de maneira isolada e que foram aglutinados nessas equipes poucas semanas antes da eleição.

Cada grupo tem um coordenador, responsável por enviar propostas e subsidiar os discursos do candidato.

De uma dessas equipes, liderada pelo economista Marcos Cintra, saiu a ideia do imposto único, que pretende reunir todos os impostos federais em uma tributação nos mesmos moldes da CPMF.

Cintra, que preside a Finep, agência de financiamento à inovação, lidera o time que estuda propostas para a reforma tributária e também na área de ciência e tecnologia.

Na área de macroeconomia, estão Mario Jorge Mendonça (Ipea) e Roberto Ellery (UnB). Marcio Bruno Ribeiro (Ipea) desenvolve modelos para verificar a efetividade das políticas que serão implementadas.

Sergei Soares (Ipea) se concentrou nas propostas para a área social, revisando os gastos com programas assistenciais do atual governo.

Na infraestrutura, Paulo Coutinho, diretor do centro de Estudos em Regulação de Mercados, da UnB, coordena os diversos grupos ligados a telecomunicações, transportes e outros setores regulados.

O grupo de estímulo à concorrência, por exemplo, conta com a coordenação do atual diretor de estudos econômicos do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Guilherme Resende.

Ligado ao candidato ao governo de São Paulo João Doria, Paulo Uebel, ex-secretário de Gestão da Prefeitura de São Paulo, cuida de propostas para o desenvolvimento regional e desburocratização da máquina pública.

Existem colaboradores que atuam em outros órgãos da administração federal. No Congresso, por exemplo, os consultores Cesar Mattos e Igor Freitas enviaram propostas para a área de transporte e telecomunicações, respectivamente. Mattos foi conselheiro do Cade, e Freitas integrou o conselho diretor da Anatel.

Um dos maiores grupos é voltado a políticas para o agronegócio, liderado pelo economista José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho (Ipea).

Nas relações exteriores, as colaborações estão sendo pilotadas por Marcos Troyjo, do BRICLab, da universidade americana de Columbia.

Há também colaboradores de PUC-Rio, USP, Unifesp e FGV.

Política

Eleitores de Bolsonaro ironizam suspeita de irregularidade em eleição

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Foto: Sergio Moraes/Reuters

Com críticas à investigação contra Jair Bolsonaro (PSL) e a defesa do voto em cédula, manifestantes favoráveis à candidatura presidencial do capitão reformado fecharam neste domingo (21) a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O protesto teve inicio por volta das 9h, em frente ao Museu Nacional, e se estendeu até o Congresso Nacional.

Com bandeiras e camisetas do Brasil, os eleitores do militar fizeram ataques ao PT e ao PSDB e ironizaram suspeita de financiamento por empresas de disparo de mensagens contra a candidatura de Fernando Haddad (PT).

Eles levaram caixas de papelão ao protesto, com a inscrição “Caixa 2”. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu investigação sobre o caso após ele ter sido revelado pela Folha. Haddad acusou Bolsonaro de estar envolvido com a distribuição das mensagens e disse que ele tenta fraudar o processo eleitoral.

“Nós estamos aqui votando pela mudança. Não somos militantes de estimação. Se o governo for ruim, voltamos pra rua e tiramos ele”, disse a a representante comercial, Sara Santana, 36.

A Polícia Militar não fez estimativa de público. O protesto teve as participações dos movimentos Vem Pra Rua, Nas Ruas e MBL. Eles estimam que compareceram ao protesto cerca de 100 mil.

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